BVG #1: Phantasy Star I – Quando o jogo falou minha língua

O toque avisa que é hora de ir pra casa. Na porta do colégio, meu pai aparece para me pegar. Como era sexta-feira, eu tinha direito a alugar dois jogos na locadora antes de ir para casa. Eu tinha 12 anos, e jogar Master System me deixava eufórico. Salto do carro como louco e venero a prateleira com os cartuchos da Sega, todas as caixinhas com identidade visual semelhante. Passo o dedo entre elas, escolhendo qual levar. É quando, pela primeira vez, me deparo com aquele que viria a ser um dos melhores jogos que desfrutei. Segurando a caixa de Phantasy Star, confesso que nada me motivou a querer jogá-lo, exceto por um pequeno detalhe, um selo na embalagem informa que o jogo é em português. Meus olhos se arregalaram, foi o suficiente para atiçar minha curiosidade, sem pestanejar, levei para casa. Pronto, era só questão de tempo até eu descobrir que aquele pequeno cartucho com bateria de salvamento consumiria todo meu final de semana, me levando, em seguida, a comprá-lo.

Phantasy Star foi lançando no Japão em 1987, um ano depois estava nos Estados Unidos. No Brasil só apareceu quatro anos depois, porém, em português. Num trabalho caprichado do Tec Toy, que até hoje comercializa produtos da Sega. O jogo logo ganhou uma legião de seguidores no Brasil. Poderia ter tido ainda mais jogadores, mas por ser um jogo com 4MB de memória, na época 8 bits, se tornou mais caro do que os outros. Mas nada que abalasse o sucesso, afinal, um ótimo jogo oficialmente legendado na terra onde a Internet ainda era um sonho, foi o que muito jogador pediu aos céus.

Um grande jogo se faz com um vários requisitos de sucesso. Phantasy Star teve um belo conjunto de fatores tornam o game o queridinho dos jogadores de RPG em vídeo da época. Primeiro pelo enredo, uma história de fantasia que mesclou com sucesso elementos futuristas e medievais. A história também teve protagonistas carismáticos, que gradualmente eram introduzidos no decorrer do jogo, maravilhando o jogador. A jogabilidade também foi sucesso, simples e direta, onde, em um mundo aberto, o jogador tinha a “liberdade” de ir onde quisesse, e não apenas num único planeta, o que na época, equivalia a liberdade do famoso GTA IV.

O sistema de combates eram baseado em turnos, o jogador tinha a visão em primeira pessoa, os inimigos ficavam destacados no centro da tela, cada um com animação própria, tornando os combates “vivos”. Os gráficos também se tornaram referência, os combates, por exemplo, tinham como “background” o cenário equivalente a região do mapa em que o jogador estava. Mas o destaque mesmo fica nas “dungeons”. Em primeira pessoa, o jogador percorria labirintos em “3D”, até então algo inédito e revolucionário. O som teve seu brilho próprio com uma trilha emotiva, além dos elementos sonoros perfeitamente encaixados em momentos chaves.

A série só veio ter continuação na geração seguinte, com o Mega Drive. Entretanto, ela invadiu vários consoles até os dias de hoje, onde acompanha os jogadores da atual geração. Há ainda, um remake do jogo para o PS2, infelizmente apenas no idioma japonês. Com certeza o Game é uma ótima lembrança do tempo em que a Sega ainda fabricava consoles. Antes de Phantasy Star, havia jogado grandes games como Super Mario Bros. Mas, definitivamente, Phantasy Star foi o que me fez querer ser um “gamer”. Fica difícil resumir um jogo tão espetacular como foi Phantasy Star, o melhor conselho é: jogue.

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11 Responses to “BVG #1: Phantasy Star I – Quando o jogo falou minha língua”

  1. Ainda não joguei Phantasy Star . Gostaria muito, quem sabe um dia tenha a oportunidade. Parece ser um game muito foda. Parabéns pelo texto, ficou ótimo cara.

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  2. Muito legal o post. Não sei se você está sabendo, mas estamos traduzindo o jogo para o português:
    http://www.gagagames.com.br/?p=9792

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    • Elias Figueiroa disse:

      Engraçado, não estava sabendo. Meus Parabéns. A partir de agora espero com carinho o dia que sairá esta tradução!

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  3. Gui Loureiro disse:

    Phantasy Star é um dos melhoress RPGs que já joguei na minha vida, tentei jogar o 2 no Mega Drive, mas é infernal, jogabilidade zero e aparentemente sem amarração com o 1. A gente só vê a amarração no 4.

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  4. Lakattos disse:

    Esse jogo era bom demais, mas esta na minha lista de jogos não zerados e agora fiquei com vontade haha.
    Será que tem algum emulador de PC que roda ele?

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